Friday, June 21, 2024
Revista Científica Digital da SBEM-SP


Inteligência artificial nas doenças nodulares da tireoide

Por Erivelto Volpi , em TIREOIDE , dia 6 de junho de 2024 Tags:, , , ,

“Inteligência artificial nas doenças nodulares da tireoide” foi tema do XXI Encontro Brasileiro de Tireoide. Abaixo, alguns destaques dessa aula dada pelo Dr. Erivelto Volpi.

— A inteligência artificial está cada vez mais presente na prática médica, e tem impactado positivamente a avaliação dos nódulos de tireoide.

— Os sistemas disponíveis hoje no mercado são bastante sofisticados e têm uma sensibilidade semelhante à de um operador experiente, e, embora com uma especificidade menor, têm sido utilizados cada vez mais para “segunda opinião” e no treinamento de médicos em formação.

— Detect-1 é a tecnologia a que temos acesso atualmente no Brasil. Ela faz o próprio ultrassom gerar um score de estratificação de risco de malignidade, baseado no sistema TI-RADS selecionado. A interpretação da máquina independe da avaliação do operador, o que é bastante interessante, pois tira o viés médico no seguimento dos pacientes. Quando o paciente consegue ter acesso a esse tipo de tecnologia e fazer o acompanhamento sempre com o mesmo aparelho, ele terá um controle específico, muito mais adequado, ficando menos suscetível aos vieses de interpretação. Essa tecnologia começa a ser disponibilizada em nosso meio, com perspectiva de aumento progressivo nos próximos anos e rápida adoção pelos serviços especializados.

— Outra nova tecnologia que utiliza IA na avaliação dos nódulos de tireoide é o ultrassom tomográfico (tUS), que faz uma renderização de imagens para transformar a imagem convencional do nódulo (2D) numa imagem 3D, permitindo sua avaliação tridimensional. Com isso, é possível ter, além da avaliação de risco de malignidade, uma avaliação volumétrica tanto da parte líquida quanto da parte sólida do nódulo, o que é especialmente importante no caso de acompanhamento clínico. A versão mais recente dessa tecnologia também incorpora o sistema ACR TI-RADS.

— Com essa IA, é possível a avaliação das áreas sólidas e líquidas, o que é interessante no seguimento de pacientes com nódulos benignos de tireoide, sem indicação cirúrgica, e nódulos que são submetidos a ablação por radiofrequência, avaliando em detalhes quais as áreas do nódulo que responderam melhor ao tratamento, além de uma aferição da redução do volume global do nódulo.

— A inteligência artificial é revolucionária e impactará bastante a prática clínica nos próximos anos. No entanto, ela ainda não é superior à avaliação de um operador experiente. Todos os estudos mostram que a IA no controle, na avaliação e na estratificação de risco dos nódulos para a malignidade ainda não é superior a um operador experiente; no entanto, para um avaliador não dedicado ao estudo ultrassonográfico da glândula, esses sistemas de machine learning são bastante efetivos no auxílio diagnóstico.

— Hoje, mais do que uma máquina, é preciso um bom radiologista para nos dizer realmente se aquele nódulo necessita de alguma intervenção maior. E a ultrassonografia 3D é um novo campo de pesquisa, porém ainda sem protocolos estabelecidos.

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imagem: iStock

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