Friday, April 19, 2024
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Esteatose hepática: medicamentos para obesidade podem ajudar?

Por Jornalismo SBEM-SP , em OBESIDADE , dia 20 de março de 2024 Tags:, , , , ,

A Conecta traz aqui alguns dos principais insights sobre o uso de medicamentos para perda de peso e que podem (ou não) estar associados à melhora da esteatose hepática, ou, Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica (MASLD). As informações foram trazidas pelo Dr. Tiago Pereira Sevá, Chefe da área de Gastroenterologia e Hepatologia da Unicamp, durante LIVE do Instagram da SBEM-SP, em 28/fevereiro.

Sibutramina: Até o momento, não há evidências substanciais indicando melhorias de condições hepáticas como esteatose, esteatohepatite ou fibrose com o uso da droga. Os estudos disponíveis se concentram principalmente nos resultados de perda de peso associados à sibutramina, mas não demonstram benefícios diretos na fisiopatologia dessa patologia hepática.

Orlistate: Apesar da melhora dos parâmetros laboratoriais (transaminases), não há melhora da esteatose, esteatohepatite ou fibrose.

Naltrexona e bupropiona: Essa combinação oferece potencial perda de peso, mas os benefícios estão mais relacionados à redução do peso corporal do que à melhoria das condições hepáticas em si.

Glifozinas – A evidência para essa medicação ainda não é a mais forte, a mais robusta, mas pode ser usada como uma opção no tratamento da MASLD no caso de pessoas com diabetes. Estudos indicam que melhora, inclusive, a esteatohepatite.

GLP-1 e seus Análogos: Dentre as opções mais promissoras, estão os análogos do GLP-1, como a liraglutida e semaglutida, cuja evidência demonstra uma redução da inflamação. Embora ainda não haja drogas específicas aprovadas em bula para esteatohepatite, os GLP-1 parecem se destacar como uma opção interessante para aqueles que, além da doença hepática, enfrentam condições metabólicas associadas à obesidade.

Pioglitazona: A pioglitazona continua a ser uma escolha relevante para melhorar a inflamação e algum grau de fibrose em pacientes com diabetes e sem diabetes. No entanto, seu potencial ganho de peso deve ser considerado ao prescrever para pacientes com obesidade.

Vitamina E: Embora tenha sido estudada por seu papel antioxidante e anti-inflamatório, a vitamina E apresenta melhora leve e temporária para a esteatose, com a preocupação de possíveis aumentos de risco de câncer de próstata e bexiga após dois anos de uso.

Metformina: Os trabalhos hoje mostram que a metformina melhoram as enzimas hepáticas, mas não há evidência de melhora real da esteatose e/ou da esteatohepatite.

Metadozil: podem diminuir as transaminases, mas estudos não mostram evidências de melhora real.

Cirurgia Bariátrica: Para casos com IMC maior que 30-35 em que mudanças no estilo de vida e terapia farmacológica não foram eficazes, a cirurgia bariátrica emerge como uma opção efetiva a longo prazo para pacientes com esteatose e esteatohepatite. No entanto, é crucial considerar os potenciais impactos negativos nos primeiros meses pós-cirurgia, em razão da perda de peso rápida ou muito rápida, e que pode alterar um pouco o metabolismo de lipídios dentro dos hepatócitos levando, às vezes, a um processo de piora antes da melhora.

De modo geral, pessoas que chegam na bariátrica já tem alguma alteração hepática. Estudos indicam que 10% desse subgrupo de pessoas apresenta cirrose que não foi detectada previamente. Por isso, é fundamental realizar uma avaliação hepática abrangente e com pessoas especializadas antes do procedimento, para evitar piora no pós-operatório.

Quando o endocrinologista deve encaminhar o paciente?

A primeira coisa é estar atento a essa doença. Todo paciente diabético e pré-diabético deve fazer rastreamento com ultrassom e fazer o FIB 4. Repete-se em torno de um ano e meio. Caso resultados venham altos, deve-se pedir uma elastografia hepática. Se o resultado também for alto, é o momento de encaminhar ao hepatologista e fazer um seguimento conjunto.

A mudança de estilo de vida ainda é o padrão ouro para tratar a MASLD. E o exercício físico regular é crucial na redução da mortalidade por eventos cardiovasculares, especialmente em pacientes com síndrome metabólica associada à esteatose ou esteatohepatite, que em comparação com aqueles com síndrome metabólica – mas sem alteração hepática – têm maior risco de sofrer um AVC ou infarto.

* Colaborou para esta matéria a Dra. Marília Bortolotto, da diretoria da SBEM-SP, moderadora da LIVE ao lado do Dr. Felipe Henning Gaia, presidente da Regional São Paulo da SBEM.

Imagem: iStock

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