Monday, May 27, 2024
Revista Científica Digital da SBEM-SP


Prática de consultório na abordagem da obesidade

Por Marcio C. Mancini , em OBESIDADE , dia 20 de setembro de 2023 Tags:, , ,

“Minha prática de consultório na abordagem da obesidade” foi tema da aula do Dr. Marcio Corrêa Mancini (SP) e Maria Edna de Melo (SP), durante o Congresso Brasileiro de Atualização em Endocrinologia e Metabologia – CBAEM 2023.

Um dos objetivos da aula foi mostrar a necessidade de uma linguagem empática ao lidar com os pacientes que buscam tratamento para obesidade. Abaixo estão os principais pontos abordados:

– “People first” é a linguagem em que não se adjetiva o paciente pela sua doença, portanto, no lugar de ‘obeso’, prefira ‘pessoa que tem obesidade’ ou ‘pessoa com obesidade’.

– O consultório precisa estar equipado com mobiliário resistente e de proporção adequada. O manguito de pressão deve ser adequado ao tamanho do braço de um paciente com obesidade. “O mesmo serve para a balança, ela não pode pesar apenas pessoas até 150 kg. É muito desagradável o paciente não conseguir ser pesado numa balança de um médico que se propõe a tratar de obesidade”, comenta Dr. Mancini.

– As metas têm de que ser factíveis: explicar ao paciente o que o tratamento clínico é capaz de oferecer e lembrá-lo de que uma perda de peso entre 5% a 10% já é considerada clinicamente relevante. Evidentemente, caso seja possível ir além dessa perda, melhor.

– Recentemente foi publicada uma proposta da SBEM e da ABESO onde se considera uma obesidade controlada quando o paciente perde pelo menos 10% ou 15% do IMC máximo da vida, respectivamente para aqueles com IMC menor ou maor que 40 kg/m2. É a obesidade controlada.

– A obesidade deve ser aceita como doença crônica, uma vez que o organismo se defende da perda de peso e produz hormônios para recuperar o peso perdido. Mesmo depois de um prazo longo do emagrecimento, cerca de 2 anos após essa perda, existe a tendência de reganho de peso.

– As causas do ganho de peso devem ser investigadas: padrão de alimentação do paciente pode ser de hiperfagia prandial, ou seja, comer muito nas refeições; pode ser um paciente com compulsão alimentar ou um transtorno da compulsão alimentar, que tem critérios diagnósticos específicos; pode haver uma síndrome alimentar noturna, quando a pessoa come mais do que 50% do valor calórico total diário no jantar e depois do jantar. Essa investigação é importante pois existem medicamentos que funcionam melhor para um do que para outro.

– Outras causas que podem levar à obesidade: uso de antidepressivos, antipsicóticos, corticoide betabloqueador, insulina em excesso e antirretrovirais inibidores de proteases. Privação do sono, estresse, cessação de tabagismo e menopausa também

podem estar envolvidos no ganho de peso do paciente, sem mencionar as doenças endócrinas: síndrome de Cushing, síndrome de ovários policísticos, hipoglicemia, só para citar algumas. E lembrar que hipotireoidismo não é causa comum de obesidade, como muitos pensam.

– A obesidade é multifatorial. Existem mais de 100 condições de saúde associadas à obesidade ou que pioram quando o paciente tem obesidade.

– A diminuição da ingestão calórica e o aumento da atividade física fazem parte do tratamento, mas hoje contamos com medicamentos como orlistate, sibutramina, liraglutida, semaglutida e combinação de naltrexona e bupropiona, além de medicações off label. “Mas é importante que o médico tenha experiência e conheça bem as suas indicações e contraindicações”, alerta Dra. Maria Edna.

– A perda de peso é individual. Cada pessoa responde melhor a um determinado tipo de tratamento, seja medicamentoso ou cirúrgico, no caso, a bariátrica.

– Foi mostrado trabalho com 80 pacientes do ambulatório de obesidade da USP, que recuperaram o peso depois de cirurgia bariátrica, no qual o uso de medicamentos se mostrou efetivo não apenas na perda de peso, mas também na progressão do reganho. “A nossa experiência mostra que liraglutida, sibutramina, topiramato e combinações dessas medicações podem ser úteis para esses pacientes”, finaliza o endocrinologista.

Marcio Corrêa Mancini – Clique para ver CV Lattes

Maria Edna de Melo – Clique para ver CV Lattes

imagem: iStock

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